
Não se surpreenda se amanhã ou depois você se pegar gesticulando diante de uma vitrine, enquanto os preços e peças do mostruário da loja passam de um lado para outro obedecendo a seus movimentos. Nada de pânico, também, se você puder dar ordens verbais à sua casa, como “ligue o microondas em potência alta por 20 minutos” ou “acender as luzes da sala de estar”... e a casa “responder”: sim, senhor fulano. A interação homem-máquina está avançando a passos largos, e as últimas feiras de tecnologia estão deixando o mundo de queixo caído... Os Jetsons se sentiriam bem a vontade.
Os dois exemplos acima estarão entrando em nossas vidas a partir deste ano. Projetos de grandes empresas de tecnologia e universidades estão fazendo o favor de mergulhar o homem no mundo virtual, sem nem oferecer um coletezinho salva vidas. O movimento é irreversível. A partir de agora teremos que nos adaptar, e como nossa geração é quem vai pegar este começo, talvez tenhamos que ser aqueles que vão lidar com os bugs... Divagações à parte, vamos ao que interessa:
Menos hardware...
Quem já assistiu Minority Report (de Steven Spielberg), deve ter sentido um pequeno “déjá vu” com o primeiro exemplo. Porém, a navegação por gestos deixou de ser ficção. O MIT (Massachusetts Tecnology Institute), autoridade em tecnologia no mundo todo, apresentou em uma feira o seu projeto Sixth Sense (Sexto Sentido).
Em resumo, trata-se de um aparelho para ser carregado diante do corpo, como um pingente (bem cafona... mas é só um protótipo), que é capaz de projetar imagens sobre qualquer superfície (como paredes), excluindo a necessidade de monitores. Entretanto, o forte deste projeto é seu sistema capaz de reconhecer os movimentos do usuário, colocando-o para interagir com as imagens projetadas (vídeo abaixo).
Num dos exemplos de utilidade para esta ferramenta, o usuário fotografou uma paisagem simplesmente parando diante dela e executando um gesto simples com as mãos, formando um retângulo no ar com os dedos indicador e polegar em ângulos de 90º. Depois, sobre uma parede, o aparelho projetou todas as fotos (como se estivessem espalhadas sobre uma mesa), e com gestos (como um maestro), ele pôde ampliar, reduzir, recortar e organizar as imagens.
Noutro exemplo, o sistema armazenou dados de algumas pessoas, e quando estava parado diante de uma delas, reconheceu sua face e projetou em seu peito o nome e outras informações (endereço de e-mail, site, etc). Bem... para quem possui uma relação meio “Alzheimer” com nomes e rostos, assim como eu, seria beeeeem útil.
Já que o sistema trabalha com reconhecimento de imagem, as aplicações são virtualmente ilimitadas, por isso deixo a cargo da imaginação do leitor sobre as possibilidades... mas, na minha opinião, nem de longe o projeto do MIT bate o Project Natal da Microsoft, o que há de mais moderno e interativo no mundo dos games e navegação por gestos, apresentado na E3 (Electronic Entertainment Expo, a maior feira internacional de jogos do mundo).
Um pequeno aparelho acoplado ao game XBox 360 excluiu completamente a necessidade de controles, enrubescendo o Nintendo Wii. Com duas câmeras de alta definição funcionando como um par de olhos, e um avançadíssimo conjunto de programas, processadores e memórias, o aparelho reconhece os movimentos do usuário, em profundidade e detalhes surpreendentes, e os transfere para dentro do jogo, na forma de comandos aos personagens.
O vídeo apresentado pela empresa de Bill Gates (acima), mostrou um garoto sendo reconhecido no instante em que entrava na sala (graças ao estupendo alcance e reconhecimento facial das câmeras), e imediatamente foi desafiado pelo personagem do jogo a uma luta. Com movimentos de artes marciais o rapaz fez o personagem lutar, em tempo real. Outro garoto comandava um godzilla que disparava rajadas de energia pela boca, num game infantil, demonstrando que o sistema pode ler detalhes minuciosos, como as expressões faciais!
Num game de formula um, uma garota sentada no sofá pilotava e ainda trocava de marcha com movimentos no ar, e ao parar no box, seu pai se levantou e “trocou os pneus” do veículo. Demonstração clara de que o game é multiplayer, e pode reconhecer e definir papéis aos jogadores, individualmente. No quarto exemplo, mãe e filha disputavam uma partida de chute a gol...
Com a possibilidade do XBox de conectar-se à internet banda larga, uma garota entrou em contato (tipo videoconferência) com uma amiga, e trocaram idéias sobre “com qual roupa” ir a um evento. Como as peças das duas estavam armazenadas no sistema, foi possível a elas se vestirem virtualmente e ver como ficaria a roupa de uma no corpo da outra.
Além de reconhecer o jogador, suas expressões e a interatividade on-line, o aparelho ainda pode identificar suas vozes individualmente, como num exemplo em que uma mulher dava comandos ao catálogo de DVDs como: “play movie” (iniciar filme) ou “good bye” (“tchau”, para desligar o aparelho). Num game multiplayer, toda a família foi inserida numa espécie de “Show do Milhão”, em que competiam on-line com outra família.
O sistema reconhecia quem fazia o movimento de “apertar o botão” mais rápido e dava o direito de responder. Conseguia identificar a voz e a resposta completa do jogador, para então dizer, através de um apresentador de programa virtual (muito mais simpático que o Silvio Santos) se estava certa ou não, a resposta.
Neste caso, as possibilidades de uso deste sistema eu também vou deixar a cargo da criatividade dos leitores (mas gostaria de patentear a minha: a substituição do Silvio Santos por alguém mais bem preparado, ainda que seja um programa de computador).
Curiosidades
O Projeto Natal da Microsoft tem como um dos maiores responsáveis um brasileiro, que adora a cidade de Natal/RN. Alex Kipman foi convidado à ingressar na grande empresa norte americana, após se destacar na área, aqui no Brasil. Veja sua entrevista no Portal UOL !
Acha que tudo isso está muito distante da sua realidade? Você se surpreenderia ainda mais. Por exemplo, o preço deste fantástico aparelho do Projeto Natal para Xbox está sendo especulado (pelo Estadão) em algo em torno de U$ 100 (R$300 aproximadamente... e o Xbox custa cerca de R$ 3.000 – como um computador dos bons).
E quanto ao sistema das câmeras que reconhecem movimentos? O Baixaki tem um programinha que pode te ajudar a experimentar essa sensação. Com HeadMouse2.0 e uma webcam comum, você pode usar movimentos da sua cabeça para mexer o ponteiro do mouse!
E então, está pronto para o novo milênio, cowboy? Have a nice shot!
Fontes: Estadão On-Line, Baixaki Tecnologia1 e Baixaki Tecnologia2, Wikipedia e Portal UOL .
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