Amigo leitor,
Mais uma vez este colunista/blogueiro se vale de mais uma de suas facetas loucas para dar corpo a mais um capítulo de nossa aprazível coluna...espero que estes sejam capazes de lhe trazer algum tipo de reflexão ou sentimento, mesmo que este seja de arrependimento pelo tempo perdido...
E desta vez, a observação da loucura de nosso cotidiano e a inspiração para traduzi-la em letras veio em um episódio totalmente inusitado.
Rodeio Técnico de Adamantina 2009; noite de sábado; show de uma das duplas sertanejas de maior visibilidade na mídia atualmente: Victor & Léo. Arena do conjunto Poliesportivo absolutamente lotada, talvez 10, 15 mil pessoas. Para as pessoas normais, uma ótima chance para encontrar os amigos, namorarem, beberem (e gastarem muito dinheiro!!!)...e também, ao menos para mim, uma rara oportunidade de observar os comportamentos humanos e refletir sobre eles.
Antes de entrar na viagem propriamente dita, faço aqui uma ressalva: este texto não visa criticar qualquer estilo de música ou manifestação cultural...portanto, aqueles que são adeptos da música country (no qual absolutamente não me enquadro!!!) leiam tranquilos...
Pois bem. Explicações (des)necessárias a parte, vamos ao que interessa!
Antes do início do evento, como é de praxe, houve a execução do Hino Nacional Brasileiro....
Hino nacional? Para algumas pessoas, acho que a letra e os acordes tecidos por Joaquim Ozório Duque Estrada e Francisco Manuel da Silva, há exatos 100 anos (o hino nacional está fazendo aniversário hoje), não se passava de uma “musiquinha irritante, bem menos importante que os hits da época: o créu, dança da garrafa, dança da motinha entre outras pérolas do nosso cancioneiro popular...(definitivamente isso não é música!!)
Alguns indivíduos permaneciam devidamente acomodados em seus desconfortáveis assentos de cimento; outros caminhavam apressadamente de um lado para o outro, como se procurassem algo (talvez o cérebro perdido?); havia ainda aqueles que conversavam, riam, e a grande e esmagadora maioria, simplesmente bebia.

Infelizmente, tenho certeza que a esta altura do texto, você deve estar se perguntando: e o que isso tem de novidade? Dessa vez, essa loucura não tem nada de novo...
E é justamente neste ponto que a loucura total aparece...sim...loucura...!!!
Pensem comigo: em que local CIVILIZADO deste mundo, um hino nacional, símbolo maior de união de um povo é tão respeitado quanto uma palestra sobre trigonometria analítica em um baile funk?
Levanto este questionamento não por simples nacionalismo barato, até porque não preenchemos sequer o conceito de nação: reunião de indivíduos que, em razão de LAÇOS CULTURAIS se submetem a convivência em um mesmo território e a regras comuns.
Para ilustrar melhor este simplório conceito, vejamos um exemplo: os judeus/israelenses, mesmo não tendo vivido sobre o mesmo território durante milhares de anos, em razão dos laços culturais, mantiveram a identidade nacionalista, e, com a criação de seu Estado, em 1948, apenas a concretizaram materialmente.
Nesse mesmo sentido, mesmo que paradoxalmente ao exemplo citado anteriormente, devemos citar os Palestinos, que, mesmo não possuindo ainda um Estado com território próprio, mantém uma autoridade nacional, estruturada basicamente através de vínculos culturais e nacionalistas.
Querem um outro exemplo de povo, onde o conceito de nação é extremamente sólido: Os EUA: o dia da independência (04 de julho) é comemorado efusivamente pelos norte-americanos, com respeito extremos aos seus símbolos nacionais.
Não estou aqui para defender americanos e israelenses, mas o fato é que só nos lembramos que existe hino nacional nas partidas do Brasil na Copa do Mundo de Futebol e olhe lá! Torcemos como malucos e, orgulhosos, nos gabamos: somos pentacampeões mundiais! O país do futebol!
Só isso? Nos tornamos apenas uma NAÇÃO quando esta calça chuteiras e veste uniforme amarelo e azul?
Que pena...
Como exigir de um povo, constituído por um amontoado de pessoas que, por absoluto comodismo, compartilha o mesmo território, respeito às instituições, a democracia, ao poder o qual lhe é conferido através do voto?
Para que contribuir com o crescimento e o amadurecimento de um país que nem ao menos se reconhece como nação?
Isso só me faz chegar a uma triste constatação...o caminho que teremos que percorrer até um patamar de “Primeiro Mundo” não passa apenas pelo crescimento econômico e distribuição de renda...precisamos, urgentemente, nos reconhecer como uma nação, unida em ideais e sonhos.

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